Iara Maurente
Cota do bem
Do ponto de vista histórico, a escravatura do Brasil foi oficialmente extinta ontem... Sabemos que não bastou o espírito libertador da Princesa Isabel que assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, para que os negros tivessem acesso à justiça e à cidadania. Desde de lá, é cotidiana a luta pela igualdade de direitos, acesso igual às oportunidades e respeito. Há clubes que em pleno século 21 ainda não aceitam negros, prédios onde os elevadores são proibidos para negros sem contar as diferenças salariais que são praticadas a céu aberto... Ninguém consegue negar que no Brasil ser mulher, negra e pobre é a combinação mais perversa de existência. Disfarçado de liberdade de expressão, os preconceitos contra os negros são frequentes nas redes sociais e frequentemente estão presentes nas piadinhas que são contadas nas rodas de amigos, nas festinhas, nas escolas, na televisão...
Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que o sistema de cotas raciais nas universidades é constitucional. O julgamento foi provocado pelo DEM contra o sistema de cotas na UNB (Universidade de Brasília) que reserva 20% das vagas para pessoas que se autodeclaram negras ou pardas. Foram dois dias de julgamento com muitos argumentos e profundas análises sobre a questão no Brasil. Em quase todas as opiniões, uma espécie retrato da desigualdade que pode, através das cotas, estabelecer de forma consciente mais equilíbrio.
Quando decidiu adotar o sistema de cotas em 2004, a UNB previu revisão e avaliação da medida em dez anos, ou seja, em 2014. O ideal seria que até lá as universidades tivessem saldado a dívida social com os negros. Na realidade, sabemos que, infelizmente, esta não será a realidade de um país que continua crescendo sem conseguir saldar seus débitos com uma raça que foi escrava e continua aprisionada pela injustiça.
Vai acabar
Prepare-se, o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) fez esta semana previsões super desagradáveis para sete produtos muito agradáveis! Segundo o estudo, o aquecimento global pode acabar com o chocolate em quatro décadas, considerando a elevação da temperatura do planeta e se não forem tomadas medidas que impeçam a sequência de emissões de CO2, que comprometem a produção de cacau – origem do chocolate.
Por mim, tudo bem... não gosto de chocolate mesmo. Mas se fosse só o chocolate. Acontece que está na lista do CIAT o uísque, porque o cereal especialmente o malte, poderá sofrer, no futuro, com secas, enchentes em regiões produtoras costeiras e doenças na plantação. Isto é péssimo para as festas, concorda? Na lista, ainda, o risco que passam algumas espécies marinhas, especialmente o salmão, uma vez que a elevação das temperaturas oceânicas pode alterar o ciclo reprodutivo e o regime alimentar dessa iguaria subaquática. Segundo a associação americana National Wild Federation, a acidificação dos mares tem prejudicado a formação do casco de pequenos moluscos que servem de alimento para o salmão. Pense: como será a vida sem sashimi? Impossível, né?
Segue a triste lista com o famigerado arroz!!! Aquele branquinho maravilhoso que acompanha o feijão nosso de cada dia. Sim, os cientistas descobriram que, ao longo dos últimos 25 anos, o rendimento das colheitas de arroz caiu entre 10% e 20% em alguns locais. A suspeita é de que as plantas de arroz estão gastando mais energia para respirar em noites quentes, o que afeta a capacidade de realizar fotossíntese.
E, um produto que é impossível de viver sem!!! O sagrado vinho Bordeaux, da França, uma das regiões produtoras de vinhos de excelência mais antigas do mundo. Considerando o cenário mais pessimista, especialistas acreditam que as mudanças climáticas podem tornar a região inadequada para a atividade já em 2050.
Tá achando ruim? Pois, ainda tem o mel, porque um fenômeno vem intrigando cientistas do mundo todo: o colapso de colônias de abelhas na Europa, América do Norte, África e Ásia. De acordo com um estudo do Departamento de Agricultura dos EUA, as colônias de produção de mel diminuíram de uma população de 5,5 milhões em 1950 para 2,5 milhões em 2007.
Por último, um ataque ao nosso sagrado hábito após as refeições, o maravilhoso cafezinho. Sabe por quê? Porque nos últimos anos, a produção de alguns dos melhores grãos vem apresentando queda na Colômbia e em outras regiões produtoras da América Latina. Para crescer sãs e fortes, as plantações de café precisam de condições adequadas de temperatura, além de dias secos e chuvosos na medida. As mudanças bruscas no clima prejudicam, em muito, a colheita de bons grãos para a produção.
